15 novembro, 2005

Há séculos,
muitos séculos,
pela manhã foi enterrado Melanipo
e logo ao pôr do sol
a donzela Basilô matava-se:
Não quis viver tendo dado ao fogo
fúnebre seu irmão.
Assim uma dupla desgraça feriu-lhes a casa do pai Aristipo
— e toda a Cirene chorou
o ermo do lar excelente em filhos.

Há milênios, dura
indelével, a dor
que a beleza tomou para si
... e carpimos ainda
com os cidadãos de Cirene
— todos mortos.



Há poucos anos
homens, mulheres, crianças
aos milhares, em casas miseráveis de
Vila Socó - Cubatão - São Paulo
morreram
explodiram
arderam
fritaram-se todos juntos
no mesmo fogo bruto.

Isso não tem lirismo nenhum.
Me perdoa, Calímaco.

2 Comments:

Blogger Drosofila said...

Espero a tradução no post que vem! =p

p.s.: Calímaco era amigo de Empédocles?

quarta-feira, 16 novembro, 2005  
Blogger Ordep Serra said...

Calímaco era um poeta alexandrino; viveu séculos depois de Empédocles. O que está no blog é uma tradução de um dos poemas dele, com um acréscimo brasileiro.

sexta-feira, 18 novembro, 2005  

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